
Nikolas dá parabéns a Flávio após EUA listarem PCC e CV como “terroristas”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deu parabéns a Flávio Bolsonaro (PL) nesta 5ª feira (28.mai.2026) depois de os Estados Unidos anunciarem que vão classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações “terroristas”. A medida foi anunciada 1 dia depois do encontro do senador com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Políticos de direita estão associando a decisão norte-americana à viagem do pré-candidato à Presidência pelo PL.
A classificação entra em vigor em 5 de junho. Eis a íntegra (PDF – 288 kB).
BRASIL
Desde quando foi anunciada a possibilidade da decisão, o Planalto diz que a medida amplia uma divergência jurídica já existente com Washington. E, assim, pode gerar efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras.
A legislação norte-americana sobre financiamento ao “terrorismo” permite sanções a bancos e empresas que operem com organizações enquadradas nessa categoria, mesmo sem conhecimento direto da ligação com os grupos.
No governo Lula, a avaliação é de que o PCC e o Comando Vermelho não se enquadram na definição de “terrorismo” prevista na legislação brasileira, por atuarem com motivação econômica e por controle territorial, e não ideológica.
No Planalto, o principal temor é de que a classificação adotada pelos Estados Unidos possa expor instituições financeiras brasileiras a penalidades automáticas e ampliar o risco de interpretações jurídicas mais abrangentes no sistema financeiro internacional, além de abrir margem para medidas de alcance transnacional com base em normas norte-americanas.
A parceria bilateral para o combate ao crime organizado foi tema das conversas entre Lula e Donald Trump, em dezembro e janeiro. Na ocasião, o presidente brasileiro propôs ampliar a cooperação em áreas como lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas e tráfico internacional de armas.
Em resposta, os Estados Unidos apresentaram uma contraproposta que inclui pontos considerados sensíveis pelo governo brasileiro.
Entre eles estão a possibilidade de deportação de cidadãos brasileiros a partir dos Estados Unidos, a classificação de facções criminosas como organizações “terroristas” e o compartilhamento de dados biométricos de solicitantes de asilo.
No caso dos dados, o governo brasileiro não rejeita a cooperação, mas afirma que qualquer compartilhamento precisa respeitar a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
Outro ponto de resistência é justamente a equiparação das facções ao “terrorismo”. Auxiliares de Lula afirmam que a medida poderia abrir precedente para pressões externas e interpretações jurídicas que extrapolem o enquadramento previsto na legislação brasileira, além de gerar potenciais efeitos sobre a soberania regulatória no enfrentamento ao crime organizado.
Apesar dos impasses, há áreas em que os 2 governos avançam na negociação, como troca de inteligência policial, combate à lavagem de dinheiro via criptoativos e repressão ao tráfico internacional de armas.
Em reuniões recentes com autoridades norte-americanas, o governo brasileiro já havia sinalizado resistência ao enquadramento das facções como “terroristas”, sob o argumento de que isso distorce o conceito jurídico adotado no país.
O tema não foi tratado na reunião entre Lula e Trump em 7 de maio. Segundo o próprio presidente, o assunto não entrou na conversa sobre segurança e combate ao crime.
Na ocasião, Lula afirmou: “Não discutimos facção criminosa e ‘terrorismo’ com o presidente Trump partindo dele falar de alguma facção no Brasil”.
O presidente, no entanto, apresentou a proposta de criação de um grupo de trabalho multilateral para o combate ao crime organizado na América do Sul e na América Latina.
OPOSIÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro se reuniu na 3ª feira (26.mai.2026) com o presidente dos Estados Unidos. Segundo ele, o tema central da conversa foi justamente a articulação para que os Estados Unidos classifiquem formalmente as facções brasileiras como organizações “terroristas”.
“Eu fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele para que ele declare PCC e CV como organizações ‘terroristas’, que são o que elas são”, disse Flávio a jornalistas após a reunião.
O encontro, do qual só há fotos posadas em registros de imagens, estava fora da agenda de compromissos de Trump divulgada pela Casa Branca. O congressista estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do jornalista Paulo Figueiredo. Não foi informado quem marcou a reunião.





